Liberdade Financeira: As lições do homem mais rico da Babilônia aplicadas no século XXI

Ganhar na esperada e famosa Mega Sena da Virada para mudar de vida, acredito que foi o sonho de milhares de brasileiros no final do ano. No entanto, todos acordaram para a realidade logo que perceberam que os seus bilhetes não tinham sido premiados. A verdade é que apenas o desejo de um prêmio milionário não soluciona os problemas, principalmente, se esses forem de ordem   financeira. A grande virada acontecerá, de fato, com uma nova consciência, com mudanças de hábitos e até de crenças que possibilitarão iniciar um novo processo no campo financeiro (leia Inteligência Financeira). É bem verdade que nos próximos anos, alguns poderão ganhar pequenas fortunas através de loterias ou heranças, outros, provavelmente, poderão ter sucesso nas suas  atividades profissionais. Contudo, a falta de habilidade para administrarem as finanças causará grandes perdas ou até mesmo a temida falência. Isto é, não basta acreditar que a soma de dinheiro que entrará no bolso será a “salvação da lavoura” e que será o suficiente para garantir um futuro próspero e prazeroso. Lembro-me agora, por sua grande contribuição reflexiva, de um famoso livro lançado nos anos 20, no século passado, escrito por George Samuel Clason, “O homem mais rico da Babilônia” que aborda, justamente, os ensinamentos sobre disciplina, poupança, investimentos e bons costumes financeiros. Aproveito, portanto, para citar um dos trechos que traz a seguinte mensagem:

“Qual pode ser o maior anseio de vocês? A satisfação dos desejos de cada dia, uma jóia, um adorno, melhores roupas, mais comida? Coisas que rapidamente se vão e são esquecidas? Ou, pelo contrário, sonhariam com bens mais estáveis – ouro, terras, rebanhos, mercadorias -, investimentos que trazem bons lucros? As moedas que vocês usam no dia-a-dia concedem aqueles primeiros desejos. As que vocês guardam, os segundos.”

Conhecemos exemplos na nossa sociedade de várias personalidades do show Business: cantores, atrizes, jogadores de futebol, empresários, dentre outros, que dormiram com pouco tostão e acordaram milionários, seja porque assinaram excelentes contratos ou porque ganharam prêmios substanciais. A partir de então, a vida começa a mudar e os novos gastadores iniciam a busca por bens de altos valores para justificarem a alteração de seu status. Isso acontece, muitas vezes, sem um planejamento. Os ditos novos emergentes fazem grandes dívidas, comprometendo um percentual significativo ou até a totalidade da nova renda. Impera, majoritariamente, a crença de que o dinheiro foi feito, simplesmente, para gastar e proporcionar o máximo de conforto possível. Além disso, os velhos investimentos em poupança ou a conhecida compra de imóveis e terrenos, sem levar em conta parâmetros financeiros, contribuem para construir a falsa sensação de segurança financeira. Tudo isso, quando não vem acompanhado de péssimos financiamentos imobiliários e/ou compras de vários carros luxuosos que “garantam” a construção de uma imagem, claramente distorcida, de nobreza. Não é segredo que o futuro é incerto e que algumas atividades surgem enquanto outras terminam; novos artistas começam enquanto muitos param; atletas iniciam uma nova jornada e carreiras findam; empreendedores abrem um negócio e outros empresários quebram. Eis então a questão: Em momentos delicados, as reservas financeiras (quando há) e os investimentos bancarão o alto padrão de vida? Houve uma preparação para momentos difíceis de vida?

Enquanto tais “famosos” ou os ricos relâmpagos estiverem nas suas atividades profissionais, no auge do sucesso, com o dinheiro entrando com mais velocidade que os possíveis gastos, a paz financeira aparentemente reinará. Mas, quando o montante financeiro enfraquecer, o castelo de ouro começar a ruir, os graves problemas nas finanças surgirão. É nessa hora que todos sentirão a necessidade da Educação Financeira para a adequação à nova realidade.

“Dinheiro não aceita desaforo”, segundo um famoso dito popular que busca traduzir uma vida esbanjadora, sem muitos critérios financeiros estabelecidos, e que de fato contribui para a falência. Do mesmo jeito que o dinheiro vem, também pode desaparecer, e de repente, tudo muda completamente num 180º agonizante, deixando o indivíduo sem nenhum vintém. Criar novas perspectivas e aproveitá-las com sabedoria e prudência farão uma enorme diferença nas finanças pessoais. É verdade que somos constantemente influenciados pelo impulso consumista e desejamos comprar sempre mais para preencher algo que nem sabemos ao certo o porquê, conforme explica a psicologia do consumo, em vários artigos e livros publicados, como os do professor norte-americano Michel Solomon. Uma frase que resume muito bem o desejo em gastar: “consumismo é o ato de comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para impressionar pessoas que você não conhece, a fim de tentar ser uma pessoa que você não é”. As pessoas preferem geralmente os caminhos mais fáceis, vivendo o hoje sem pensar no amanhã.

A matemática eficaz, entretanto, é a seguinte: para garantir riquezas e viver com qualidade de vida não basta trabalhar duro para ganhar dinheiro ou tampouco ser premiado numa loteria, o objetivo deverá ser adquirir novos ativos que gerem renda passiva, como retrata o personagem do nosso livro, o babilônico Arkad com esta frase, “comece a fazer seu dinheiro crescer”. Não adiantará poupar e depois gastar tudo com os desejos diários. Nosso querer sempre será ilimitado e sem foco tendemos a ceder com compras supérfluas. Seguindo o conselho do mestre de um século atrás, trabalhe com afinco, estude mais sobre finanças e faça bons investimentos para aumentar a sua capacidade de ganhar, não esbanje desnecessariamente e acompanhe sempre seus gastos e, principalmente, sua receita. Os ensinamentos desse livro vão na contramão da nossa sociedade que faz apologia ao consumo, oferecendo muitas facilidades como a obtenção de crédito e/ou financiamentos dos seus desejos, o que gera um aprisionamento dentro deste sistema ilusório. Então fica a dica: seja o construtor e o arquiteto do seu futuro e desenvolva bons hábitos financeiros. Educação Financeira é com a Landulfo Finanças !!!!!

 

Artigo publicado na Revista Nova Imagem, abril 2018.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *